PRESENÇA DE IONE

Nem sei quanto tempo fiquei sem vê-la. Uns vinte anos, talvez? E, no entanto, Ione permaneceu em minha vida, não só em lembranças do trabalho que compartilhamos com entusiasmo nos estertores da ditadura militar, mas também nas dicas de forno e fogão que teve a gentileza de me oferecer. Sempre fáceis e deliciosos pratos. Um que ficou para sempre em minha mesa de família foi a capa de filé ao forno. Cortada em grossos pedaços e temperada apenas com sal grosso, fica depositada na grelha do forno, sobre uma bandeja com batatas cortadas, que, ao longo do cozimento, vão recolhendo os sucos da carne, dourando e, no final, servem como perfeito acompanhamento. Nada mais será necessário a uma boa refeição, exceto uma saladinha trivial.

Pois reencontrei essa mulher maravilhosa, por iniciativa dela, através dos infinitos cabos virtuais. E de um grande amigo comum, também useiro e vezeiro das artes culinárias. Nosso Frederico faz peixes como ninguém (Carlos que me perdoe, porque também é um meste no quesito e, para ser justa, não fica mesmo a dever na comparação, embora os estilos sejam distintos).

Nesse caloroso reencontro, Ione e eu passamos uma tarde inteira conversando em sua casa acolhedora, onde visitantes não encontram campainha elétrica, mas um sino, que tanto me fez lembrar de minha mãe. Clarinha também preferia o tilintar. Ione me contou, entre mil outras coisas, que a receita da capa de filé era de uma prima. E, no quesito menus rápidos e saborosos, me ensinou mais uma maravilha, agora com frango. Aquela primeira reconversa nos conduziu, depois, ao cinema. Maravilhadas, assistimos “Minhas tardes com Margueritte”, uma lição de amor, com o mestre Depardieu. Uma celebração à nossa ancestral amizade.

Frango bem temperado – Marine sobrecoxas de frango, sem pele, em suco de limão e gengibre raspado. Leve ao forno, com shoyu e açúcar mascavo, até que fique dourado. A base é esta, mas eu acrescentei um tiquinho de vinho e de canela, algo que sempre uso em carnes, para dar um aroma diferente e intrigante ao prato. Dizem que a canela amacia as carnes, algo de que não tenho certeza. Mas que, usada com critério e parcimônia, ela é um belo tempero, lá isso é!

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